Moveleiros tem Pressa.

Trabalhadores e empresários do setor moveleiro de Ubá estão em processo de negociação da Convenção Coletiva de Trabalho 2010/2011. O fato mais curioso que está ocorrendo nesta negociação é a pressa dos donos de empresas para concluir o acordo, mesmo sabendo que o INTERSIND ofereceu apenas 4,9% (quatro virgula nove por cento) quando os trabalhadores reivindicam 12% (doze por cento).

É justa a pressa dos empresários, que vivem um momento de escassez de mão-de-obra, e não podem correr o risco de verem os seus poucos trabalhadores insatisfeitos no chão da fábrica, ou pedindo demissão para trabalhar em outra fábrica que paga melhor. Neste contexto, não entendemos o porque, que o INTERSIND, (assembléia dos empresários) não cobre logo a proposta de reajuste de 12% (doze por cento) do sindicato dos trabalhadores.

A primeira justificativa que levou a assembléia dos trabalhadores a aprovar uma reivindicação de reajuste de doze por cento nos salários está justamente na prática da maioria das fábricas que já pagam salários maiores que o piso da categoria estipulado na ultima Convenção Coletiva, sendo que algumas empresas pagam esta diferença sem anotar na carteira profissional.

A segunda justificativa é que todas as empresas tiveram redução dos seus custos com a diminuição dos impostos sobre a matéria prima e tiveram aumento das vendas e do lucro com a redução do IPI. Finalmente a indústria moveleira tem previsão de crescimento das vendas em 15% neste ano de 2010.

Ao contrário deste ano, na negociação do acordo coletivo em 2009, a assembléia dos trabalhadores, mesmo considerando a possibilidade de pouco avanço nas clausulas financeiras, focou a discussão na regulamentação das horas extras e Banco de Horas. A estratégia foi correta, na avaliação dos próprios trabalhadores, pois na maioria das empresas o cordado em 2009 está sendo respeitado, entretanto, os salários dos marceneiros de cidades próximas foram reajustados com índices maiores que os de Ubá, agora é o momento de tirar um pouco o atraso.

De acordo com avaliação dos marceneiros, com vários aos de trabalho nas indústrias móveis de Ubá, e hoje na direção do sindicato, uma das causas do apagão da mão-de-obra em Ubá, são os baixos salários e as condições de trabalho. Os filhos dos marceneiros estão preferindo ser mototaxistas, ou trabalhar no setor de serviços, a ter que trabalharem mais de 10 horas diárias, de segunda a domingo para ganhar quinhentos de dez reais, que é hoje o salário de ingresso na indústria moveleira de Ubá.

Tenho dito que o momento é bom. As possibilidade de dialogo estão bem colocadas e os argumentos nunca foram tão convincentes e convergentes como agora.

Claudio Ponciano
Apoiador Voluntário do Sindicato dos Marceneiros.

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