Prosperidade! Palavra confluente nos discursos de Lula e de Bolsonaristas!

Um artigo de Carolyne Santos Lemos - REVELETEO, São Paulo, v 18, n. 34, p. 51-74, jul/dez 2024, ISSN 2177-952X - "Bolsonarismo e teologia da prosperidade: confluências ideológicas e impactos nas políticas sociais no Brasil" explora a interseção entre o Bolsonarismo, a Teologia da Prosperidade e a Teologia do Domínio.

Os principais pontos são: Conexão Ideológica: O artigo analisa como o Bolsonarismo se alinhou ideologicamente com a Teologia da Prosperidade, que ganhou grande popularidade nas igrejas neopentecostais.

Teologia do Domínio: Ele discute a influência de figuras como Rousas, John Rushdoony e Gary North, que moldaram a Teologia do Domínio, defendendo um Estado mínimo e a aplicação de leis bíblicas na sociedade.

Impacto nas Políticas Sociais: A convergência dessas ideologias reforça uma visão de Estado mínimo, privatização e meritocracia, o que, segundo o artigo, tem impactos significativos nas políticas públicas, resultando na manutenção das desigualdades sociais e na desresponsabilização do Estado na provisão de serviços públicos.

A Pauta Conservadora: O texto conclui que, mesmo após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, a pauta política conservadora continua a ser perpetuada por um Congresso Nacional com maioria conservadora.

O Uso da Palavra "Prosperidade" no Discurso Político

Bolsonarismo:

No contexto do Bolsonarismo, a palavra "prosperidade" está diretamente ligada à Teologia da Prosperidade. Esta teologia, popular em igrejas neopentecostais, prega que a riqueza e o sucesso financeiro são sinais da bênção divina. A meritocracia e a ideia de que o sucesso individual é resultado da fé e do esforço pessoal se alinham perfeitamente com a visão de Estado mínimo e políticas econômicas liberais. Para os Bolsonaristas, a prosperidade é vista como um resultado da fé e do empreendedorismo individual, em contraste com as políticas de assistência social, que seriam vistas como um desincentivo ao trabalho.

Lula e o PT:

O uso da palavra "prosperidade" no discurso de Lula e do PT não tem uma conotação religiosa ou teológica, mas sim econômica e social. Diferentemente da abordagem Bolsonaristas, que a associa ao indivíduo, a "prosperidade" para o governo Lula é ligada ao crescimento econômico e à distribuição de riqueza. O governo federal tem usado o termo para se conectar com a classe média e com o público empreendedor, que também buscam o sucesso econômico. Programas sociais e políticas públicas são apresentados como ferramentas para que a população, em geral, alcance a prosperidade. A estratégia é apresentar a prosperidade não como um fim em si mesmo, mas como um resultado de políticas que promovem o emprego, a renda e a estabilidade econômica, em contraposição a um foco puramente individualista.

Este uso pelo PT e Lula não seria para aproximar do eleitor evangélico?

O uso da palavra "prosperidade" por ambos os lados, mas de maneiras diferentes, é uma estratégia direta para se conectar com o crescente e politicamente influente eleitorado evangélico no Brasil.

No caso do Bolsonarismo, a aproximação é mais orgânica. A ideologia Bolsonaristas já se alinha naturalmente com a Teologia da Prosperidade, popular entre as igrejas neopentecostais. O discurso de que o sucesso financeiro e individual é uma bênção divina e o resultado da fé e do esforço pessoal ressoa profundamente com os valores pregados por líderes evangélicos. Usar a palavra "prosperidade" não é apenas uma tática, mas uma confirmação de um conjunto de valores compartilhados que incluem a meritocracia é um Estado menos interventor.

Para Lula e o PT, o uso do termo é mais estratégico. Historicamente, o discurso da esquerda se concentrou mais na igualdade social e na distribuição de renda, em oposição ao acúmulo individual de riqueza. No entanto, com o eleitorado evangélico se tornando uma força decisiva nas urnas, a palavra "prosperidade" se tornou uma ferramenta para tentar "falar a mesma língua" desse grupo.

Ao incorporar o termo, o governo Lula busca mostrar que seus programas sociais e políticas de crescimento econômico não visam apenas a redistribuição, mas também a ascensão social e o sucesso pessoal. É uma forma de dizer ao eleitorado evangélico: "Nós também queremos que você prospere, mas por meio do acesso a empregos, educação e oportunidades, e não apenas pela fé individual."

Em resumo, enquanto para os Bolsonaristas a prosperidade é um pilar ideológico que já os conecta a essa base, para Lula e o PT, ela é uma ponte estratégica para um eleitorado crucial que, em grande parte, se afastou de sua base tradicional.


Aqui mais notícias

PT de Ubá questiona papel da Secretaria de Segurança após Prefeitura empurrar ônus da ordem pública para cidadão

"PT Ubá questiona Segurança no Carnaval de Ubá"

À qual classe social você pertence? Veja como elas são categorizadas.

Perdoai as nossas dívidas ou perdoai as nossas ofensas?

A Privatização do Lucro e a Socialização das Perdas: Uma Análise da Arrecadação em Ubá (2009-2022)