O que desejam e sonham os jovens?

Semana da juventude – de 06 a 10 de abril em Ubá.

O que desejam e sonham os jovens?

A modernidade conformou uma relativa cronologização das idades, pautada por uma certa ideia de ordem e progressão. Os ciclos da vida – infância, juventude e vida adulta – se distinguiam com bastante clareza. A escolarização e o papel exercido pelo Estado são relevantes para esse estado de coisas. Neste contexto social e cultural, a juventude era concebida como uma fase transitória, passageira.

Nas últimas décadas, em decorrência das mudanças de ordem econômica, social, populacional e cultural, essas fases foram se embaralhando. Essa descronologização dos ciclos da vida se dá em um momento em que ocorre particularmente um prolongamento da esperança de vida e a diminuição das oportunidades de trabalho para os mais jovens. As sociedades se tornam sempre mais complexas, e as passagens já não se dão com a mesma nitidez. Além disso, a fase da juventude passa a assumir uma importância em si mesma e torna-se o modelo cultural para toda a sociedade. Por isso, hoje, se faz uma distinção entre juventude, entendido como fase da vida, e juvenilização, os valores e atitudes relacionados à fase juvenil. Todos os ideais de perfeição, antes relacionados à vida adulta, estão sendo transferidos à juventude. Os adultos querem ser eternos jovens.

A relevância sempre maior do fator cultural para a definição do que é juventude traz conseqüências para a determinação dos limites etários. Tornou-se comum dizer que é jovem quem tem entre 15 e 24 anos. Hoje, o limite superior está sendo alterado para cima em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. A Secretaria e o Conselho Nacional de Juventude já adotam a faixa que compreende os 15 aos 29 anos para designar a juventude.

Devido à pluralidade de situações que envolvem o ser jovem, é preferível falar hoje em juventudes, no plural. As situações concretas e as experiências são múltiplas, mas a condição juvenil procura dar uma certa unidade a esta etapa da vida.

Os jovens que não trabalham e não estudam se encontram em uma situação de invisibilidade. Os institutos de pesquisa indicam que eles são entre 23% a 27%. Paradoxalmente, são visíveis como número, mas invisíveis enquanto conhecimento da sociedade sobre eles. O que pensam, como vivem, como se viram para fazer frente às necessidades e anseios que têm, as estratégias que desenvolvem, o que desejam e sonham, são questões pouco exploradas. Essa é uma faceta da invisibilidade. De modo geral, comparecem publicamente apenas quando estão relacionados à violência e, portanto, neste caso, são vistos como uma ameaça e um perigo para a sociedade. E são tratados como “marginais” e reprimidos com a força. E isso é uma generalização abominável e que não corresponde à realidade.

Uma outra faceta da invisibilidade consiste em encontrá-los pessoalmente. Uma coisa é saber que eles são uma estatística, mas outra bem diferente é encontrar cada rosto escondido atrás das estatísticas.. E os próprios jovens que se encontram nesta situação, sabendo da humilhação que isso representa em muitos casos, escondem-se como forma de se protegerem.

Dados da Pesquisa de André Lange:

Convido a todos e todas a aceitar esta ousada provocação do Executivo e Legislativo Municipal engajando-se nesta semana de reflexão e construção coletiva de caminhos para um outro mundo possível.

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