"PT Ubá questiona Segurança no Carnaval de Ubá"

 

PARTIDO DOS TRABALHADORES - UBÁ - MG

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NOTA À IMPRENSA: "PT Ubá questiona Segurança no Carnaval de Ubá"




UBÁ, MG – A atual decisão da Prefeitura de Ubá de transferir a responsabilidade civil e criminal da segurança dos blocos para o CPF de seus dirigentes é um retrocesso que ignora décadas de debate público. É preciso relembrar que, em 2008, a Câmara Municipal e a Secretaria de Cultura realizaram o seminário "Desafios e Possibilidades do Carnaval", que contou com vozes de autoridade máxima no assunto: Luiz Carlos Prestes Filho, um dos maiores especialistas em economia da cultura e cadeias produtivas do Carnaval no Brasil; Evandro Albuquerque, filósofo e historiador profundo conhecedor das raízes culturais mineiras; e Juquinha Santos, empresário com vasta experiência operacional em eventos de grande porte.


Daquele seminário surgiu a diretriz clara de que a organização do carnaval deve ser exclusividade do Poder Público. Ao exigir que dirigentes assinem termos de responsabilidade pela segurança pública — um dever constitucional do Estado — a prefeitura não apenas destoa da vontade das lideranças contida no relatório de 2008, mas confessa sua incapacidade administrativa. Enquanto propostas como o fomento via Lei de Incentivo à Cultura, a capacitação de lideranças e o mapeamento histórico foram abandonadas, a atual gestão optou pelo confinamento na Avenida Veloz David, sufocando a tradição dos bairros e clubes que o seminário já previa estarem em risco de desmobilização.


Diante deste cenário, surge um questionamento inevitável: qual é a real finalidade da recém-criada Secretaria Municipal de Segurança Pública de Ubá? Se a cidade possui agora uma pasta dedicada exclusivamente a planejar e executar políticas de proteção, por que o ônus da ordem pública está sendo empurrado para o cidadão comum? A criação de uma secretaria deveria significar a profissionalização da gestão de riscos e a coordenação estratégica com as forças policiais. Ao se omitir e transferir essa carga para os dirigentes, a Secretaria admite sua própria irrelevância ou, pior, sua função meramente decorativa, utilizando a estrutura pública apenas para gerar táticas de intimidação contra os organizadores culturais.


Ignorar as diretrizes de Luiz Carlos Prestes Filho é ignorar a economia real de Ubá. O Carnaval não é apenas "festa"; é uma cadeia produtiva complexa que injeta recursos diretamente no município. Ao asfixiar os blocos, a prefeitura interrompe um fluxo financeiro vital que sustenta costureiras, músicos, aderecistas e o setor de serviços (hotéis, bares e restaurantes). Tratar o evento apenas como um "custo" ou um "risco policial" é uma miopia administrativa que despreza o potencial do Carnaval como ferramenta de desenvolvimento e geração de empregos diretos e indiretos nas comunidades.


A polêmica revela uma visão distorcida de segurança, que confunde controle autoritário com proteção cidadã. De acordo com as diretrizes de segurança democrática e a cartilha da Fundação Perseu Abramo (FPA), a violência não se resolve confinando o povo em perímetros isolados ou criminalizando líderes civis, mas através de um policiamento de proximidade e inteligência.


Para que o carnaval de Ubá recupere sua paz e brilho, é urgente o resgate do mapeamento social nas áreas carentes. A verdadeira prevenção ocorre quando o Estado investe em trabalhos sociais dentro das comunidades das escolas de samba ao longo de todo o ano. Ao negligenciar essas ações e ignorar o financiamento para o aprimoramento da gestão das agremiações, a prefeitura perde a oportunidade de usar a cultura como ferramenta de inclusão, trocando a prevenção social pelo medo burocrático e asfixiando a cidadania.


Executiva Municipal do Partido dos Trabalhadores de Ubá-MG

Informações para Contato:

Entidade: Executiva Municipal do PT - Ubá/MG

Assunto: Posicionamento sobre a Segurança do Carnaval de Ubá

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