A Conta do Desperdício: O descompasso entre tarifas e Investimentos em Ubá (2009–2022)

Entre 2009 e 2022, a tarifa média da COPASA em Ubá subiu 115,02%, enquanto o IPCA acumulado no mesmo período foi de 85,26%. Isso representa um reajuste real (acima da inflação) de 25,87%, onerando o orçamento das famílias ubaenses além do aumento geral do custo de vida.
Nos primeiros anos, a tarifa acompanhou uma curva de crescimento constante, mas moderada. O Salto de 2016: Nota-se um degrau expressivo em 2016 (passando da faixa de R$ 3,00 para R$ 4,00), o que coincide com períodos de revisão tarifária da ARSAE-MG que consideram custos de energia elétrica e insumos químicos.
A partir de 2018, a curva de preços torna-se mais íngreme, atingindo o pico em 2022, ultrapassando a marca de R$ 5,00/m³.
Ao cruzar o gráfico da tarifa com os dados anteriores, surgem três contradições fundamentais:
O consumidor paga uma tarifa 25% acima da inflação, mas o sistema perde 45,66% da água produzida. Ou seja, o usuário financia a ineficiência física do sistema.
Enquanto a tarifa subia, o índice de atendimento urbano caiu e estagnou abaixo dos 85%, descumprindo a meta de universalização.
A população reduziu o consumo (para cerca de 110 L/dia), mas essa economia individual não se traduziu em contas menores, já que o valor da tarifa por metro cúbico aumentou agressivamente.
Conclusão: O aumento tarifário em Ubá não foi revertido em melhorias proporcionais na infraestrutura, visto que os índices de perdas aumentaram e o de atendimento estagnou. A arrecadação maior por volume parece ter sido absorvida por custos operacionais ou financeiros, em vez de investimentos na rede.