Tarifa Cara, Torneira Seca: O Raio-X da Crise do Saneamento em Ubá (2009–2022).
A análise da Receita Operacional Direta de Água compõe o ciclo de contradições na gestão do saneamento em Ubá. Enquanto os indicadores de eficiência técnica (perdas) e social (atendimento) pioraram, a saúde financeira da concessionária apresentou um crescimento robusto.
Abaixo, apresento o comentário sobre este gráfico e uma síntese final cruzando todos os dados apresentados:
Análise da Receita Operacional Direta: A receita saltou de aproximadamente R$ 12,5 milhões em 2009 para quase R$ 25 milhões em 2021/2022, consolidando uma variação positiva de 90,71%.
Mesmo em 2015, quando o consumo per capita caiu drasticamente para o nível mais baixo da série, a queda na receita foi mínima, sendo rapidamente recuperada e superada nos anos seguintes.
A receita quase dobrou no período, apesar de o índice de atendimento urbano ter caído de quase 100% para menos de 85%. Isso indica que a arrecadação cresceu baseada no aumento do valor da tarifa (115% de aumento) e não na expansão ou melhoria do serviço prestado.
Síntese do Cenário em Ubá (2009–2022)
O cruzamento dos seis gráficos revela um modelo de gestão onde o ônus da ineficiência recai sobre o cidadão:
Conclusão do Diagnóstico
Os dados comprovam que houve um enriquecimento da receita operacional amparado por tarifas elevadas, enquanto os serviços fundamentais retrocederam. A COPASA entrega hoje menos cobertura urbana e maior desperdício tecnológico (perdas) do que entregava em 2009, apesar de cobrar significativamente mais por isso.
O aumento de 90,71% na receita não foi revertido em investimentos capazes de manter a universalização, o que caracteriza, conforme sua análise, um claro descumprimento das finalidades contratuais de saneamento básico.
