Um passito pra trás?

Conforme havia anunciado no seu último pronunciamento em rede social, o presidente do Sindicato dos Marceneiros de Ubá deu publicidade a ata da reunião de mediação realizada no TRT-MG, no último dia 13 de dezembro. Na próxima terça dia 18/12 haverá outra assembleia da categoria profissional e dia 19 de dezembro mais uma reunião da mediação, provavelmente a última do ano uma vez que o Poder Judiciário  entrará em recesso até fevereiro de 2019.

Pelo narrado na Ata o presidente do Intersind mais uma vez se fez representar por seus advogados e não compareceu a mesa de negociação. O juiz mediador Antônio Gomes de Vasconcelos diz que “vê com muita apreensão o destino das relações de trabalho no âmbito da representação dos sindicatos envolvidos”. Segundo ainda o Juiz “faz-se necessária uma profunda introspecção pelas lideranças das categorias envolvidas para percepção da enorme responsabilidade que atrai sob seus ombros ao se negarem o diálogo no mais genuíno e profundo sentido que, parece a este juízo, não pode ser obstaculizado pelo comparecimento a mesa de negociação com posições intransigíveis”.

Na conclusão, a Ata ratifica a informação que a negociação está em estágio avançado. Notícia que já havia sido repassada aos associados do sindicato profissional pelos seus dirigentes. Segundo ainda o anotado na conclusão da Ata, esta negociação contempla os três anos em que não houve negociação com a aceitação do pagamento das horas extras em 65% para aquelas horas trabalhadas em dias úteis e 100% para aquelas trabalhadas nos domingos e feriados. Os trabalhadores em sucessivas assembleias ao longo deste ano não admitiram que a hora extra em dia útil tivesse o seu valor reduzido para 50% da hora normal. O Juiz disse ainda que acolheu esta proposição de 65% para remuneração das horas extra em dias úteis dos prudentes servidores da Secretaria de Dissídios Individuais e Coletivos (SDCI) do TRT/MG. Ele vislumbra que concessões recíprocas podem levar a soluções e vantagens para ambos os lados.

Havia dito em publicação anterior que a participação dos trabalhadores na assembleia da próxima terça, 18/12 seria para fazer número, mostrar a força e o poder da categoria. Isso porque as sucessivas assembleias deste ano vinham ratificando a posição de não abrir mão de conquistas anteriores. Como não haviam propostas intermediárias a escolha era obrigatoriamente entre a reivindicação de 70% dos trabalhadores, ou a contra proposta de 50% oferecida pelo empresariado. A assembléia do do 18/12 ganha novo significado com esta proposta intermediária e pode inaugurar uma trégua momentânea nesta embate que já se aproxima do terceiro aniversário. Será que os empregados e os empregadores darão um passito pra trás e aceitarão a proposta de 65%? Será que farão concessões recíprocas mirando em soluções e vantagens para ambos os lados conforme vislumbrou o Juiz? 

Seja qual for o resultado, fica claro do ponto de vista do trabalhador, principalmente em tempos de Reforma Trabalhista, que é preciso mais comunicação e mobilização. Penso que assim o Sindicato profissional inciaria a "necessária e profunda introspecção" sugerida as lideranças das categorias pelo Juiz mediador. Pela grandeza e importância da categoria na cidade e região, a discussão da pauta de reivindicação deve ser ampliada para além das paredes do sindicato. É necessário e possível envolver as famílias dos trabalhadores nesta negociação. Para atingir este objetivo de envolvimento da família o jornal do sindicato deve chegar nos bairros, nos pontos de ônibus e nas comunidades, e nas igrejas.  Na greve da Policia Militar do Rio de Janeiro e do Espírito Santo foram as mulheres dos PMs que "impediram" a saída das viaturas nas portas dos quarteis. Só um exemplo, mas história do sindicalismo tem vários outros. A conquista do respeito perante a classe empresarial virá naturalmente com a elaboração e execução de um plano de mobilização da comunidade ubaense em vista da valorização dos trabalhadores.  


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